O comprador da Indústria de Alimentos



A alta competitividade do mercado alimentício faz com que as indústrias busquem meios de organização a fim de diminuir os custos de produção e otimizar os resultados. Como o setor de compras é parte inerente desse processo, instituições bem estruturadas reconhecem a importância da contratação de profissionais com habilidades específicas para atuarem em uma ou mais áreas da companhia. São os chamados compradores. Mas, qual o real papel do comprador na indústria de alimentos?

As principais tarefas do comprador na indústria de alimentos estão relacionadas com a aquisição de insumos, matéria-prima, contratação de serviços e negociação de contratos, entre outras atribuições inerentes à manutenção dos equipamentos e da indústria de modo geral. Para isso, o profissional precisa ter experiência e habilidade para realizar as atividades relacionadas ao cargo de comprador de forma eficiente.

Além disso, é de extrema importância que ele seja assertivo na escolha dos fornecedores e domine as ferramentas necessárias à realização de compras estratégicas, considerando uma série de dados para uma melhor precisão na tomada de decisões.

Segundo a visão de Roberto Kanaane, as principais ferramentas estratégicas em tempos de concorrência acirrada e globalização econômica são as habilidades humanas. Logo, dentre as aptidões esperadas, o comprador precisa ter senso de organização e idoneidade para realizar boas negociações.

A relevância da compra estratégica para o setor alimentício

É muito importante analisar as etapas do processo de industrialização de alimentos para que seja possível identificar e corrigir falhas, principalmente durante a compra de matéria-prima e insumos. Dessa forma, o comprador consegue evitar desperdícios e reduzir custos, além de melhorar a qualidade e durabilidade do alimento que será produzido. É o que chamamos de compra estratégica, também conhecida na literatura como Strategic Sourcing.

O termo Strategic Sourcing foi criado pela empresa de consultoria norte-americana A.T. Kearney há mais de dez anos, e pode ser definido como um conjunto de técnicas e decisões baseadas no planejamento das atividades que vão desde o projeto de criação de um produto até sua chegada ao consumidor final.

Em resumo, para que os produtos alimentícios estejam dentro dos padrões, a compra estratégica é parte essencial do processo. O comprador deve optar pela aquisição de ferramentas, equipamentos, matéria-prima, insumos e embalagens de alta qualidade para alcançar o objetivo da companhia: a satisfação dos clientes.

Alguns elementos da compra estratégica aplicados à indústria alimentícia

    • Planejamento das compras

Para um bom planejamento estratégico de compras, o comprador precisa focar suas ações nos fornecedores, estabelecendo prioridades na hora de adquirir matéria prima, insumos, serviços, embalagens e outros itens relacionados ao desenvolvimento e manutenção da indústria.

    • Equilíbrio entre demanda e oferta

O papel do comprador na indústria de alimentos também inclui a adoção de medidas integradas pelo S & OP (Sales And Operations Planning) na busca pelo ponto de equilíbrio entre demanda e oferta. É imprescindível fabricar a quantidade de exata de produtos que supra a necessidade dos consumidores, evitando a falta ou a sobra, satisfazendo os clientes e eliminando desperdício.

    • Matriz de compras

Também conhecida como matriz Kraljic, ela é uma importante ferramenta no gerenciamento de compras. Com ela, o comprador pode estabelecer uma base à preferência nas compras, separando produtos de acordo com suas respectivas categorias e tipos e qualificando-os com base no impacto desses produtos sobre o lucro e possibilidade de substituição deles, caso os fornecedores deixem de fornecê-lo.

    • Escolha entre comprar, terceirizar ou fabricar

É muito comum que durante uma ou mais etapas do processo de industrialização de produtos alimentícios, o comprador tenha que decidir entre comprar, terceirizar ou fabricar determinado material, uma embalagem ou um rótulo, por exemplo.

O comprador precisa saber analisar e escolher se deverá comprá-los de outra empresa, se deve contratar terceirizados para a fabricação exclusiva desses materiais ou se é viável que eles sejam fabricados dentro da própria indústria.

    • O papel do comprador na escolha das embalagens e rótulos dos alimentos

Independente da decisão de comprar, terceirizar ou fabricar rótulos e embalagens, o comprador precisa ter conhecimento da influência desses itens sobre o produto. Além de pensar na qualidade, é preciso utilizar o material ideal para cada tipo de produto. Ou seja, embalagens e rótulos para produtos refrigerados devem ter composição diferente de outras utilizadas em alimentos secos.

A sustentabilidade é outro ponto que deve ser levado em conta. A decisão por materiais biodegradáveis deve ser prioridade do comprador na indústria de alimentos, pois os consumidores estão cada vez mais informados sobre os impactos positivos desses materiais à natureza e muitos já revelam clara preferência pela compra de produtos de empresas que oferecem soluções sustentáveis.

Para que as embalagens e rótulos atendam a seus objetivos, o comprador precisa ter conhecimento das normas que regulamentam a fabricação e uso desses materiais e manter "o aporte qualificado de vários especialistas, responsáveis pelas atividades multidisciplinares demandadas ao longo de sua criação e produção", tais como "técnicos, engenheiros, designers, profissionais de marketing, especialistas em comportamento do consumidor, entre outros", conforme observa o Coordenador do Comitê de Estudos Estratégicos da associação Brasileira de Embalagem- ABRE.

Por fim, o comprador na indústria de alimentos deve conhecer, por meio de dados históricos e pesquisas de mercado, o perfil comportamental dos consumidores para que possa aplicar o melhor tipo de embalagem e rótulos aos alimentos que serão comercializados.

Se a maioria dos consumidores de determinado alimento for de consumidores solteiros e que moram sozinhos, por exemplo, o comprador deve optar por embalagens mais práticas, pequenas e de fácil armazenamento.

Para consumidores da terceira idade, o ideal é que as informações inseridas nos rótulos dos alimentos sejam de fácil leitura e compreensão, com instruções claras a respeito do consumo e composição do produto que está sendo comercializado.

Conclusão

Segundo o estudo realizado na UNESP e divulgado no 36° Encontro Nacional de Engenharia de Produção que aconteceu em outubro de 2016, após a aplicação de técnicas e ferramentas de compras em determinada empresa alimentícia, a instituição maximizou resultados, otimizando tempo com a extinção de atividades menos importantes, estabelecendo relações mais competitivas com fornecedores e contribuindo para a satisfação da empresa e clientes.

Portanto, podemos concluir que o papel do comprador da indústria de alimentos vai muito além da aquisição de materiais. O profissional precisa estar sempre em busca de novas tecnologias, pensando sempre na qualidade da matéria-prima, dos insumos, dos rótulos e das embalagens para que conquistem a confiança, credibilidade e satisfação dos consumidores.

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